Por que um elogio pode parecer tão desconfortável?
Porque reconhecer uma qualidade pode contrariar crenças antigas sobre seu valor. Para reduzir essa contradição, a mente pode descartar o elogio como exagero, gentileza ou engano.
A resposta automática costuma aparecer em frases como ‘foi sorte’, ‘qualquer pessoa faria’ ou ‘você está sendo gentil’. O reconhecimento chega, mas não encontra lugar para permanecer.
Um guia de autoestima de um serviço do NHS sugere praticar a aceitação de elogios e observa que um simples ‘obrigado’ pode ser suficiente quando receber reconhecimento parece difícil (Talk2gether NHS).
O elogio incomoda quando não combina com a história crítica que você repete sobre si.
Recusar elogios é humildade ou baixa autoestima?
Humildade permite reconhecer qualidades sem se colocar acima dos outros. A baixa autoestima pode tornar quase impossível aceitar algo positivo, mesmo quando existem evidências concretas.
Você não precisa concordar plenamente com o elogio para recebê-lo. Pode apenas reconhecer que aquela é a percepção sincera de alguém sobre você.
Observe se você aplica padrões diferentes: aceita facilmente críticas vagas, mas exige provas absolutas para qualquer reconhecimento.
Aceitar um elogio não aumenta seu ego; amplia a quantidade de evidências que você permite considerar.
Por que eu acho que a pessoa está apenas sendo gentil?
Desconfiar pode proteger você da exposição de acreditar em algo bom e depois se decepcionar. Também pode refletir experiências em que afeto e aprovação foram imprevisíveis, condicionais ou usados como cobrança.
Nem toda desconfiança é irracional, e contexto importa. A questão é perceber se você rejeita automaticamente qualquer comentário positivo, inclusive de pessoas consistentes e em situações concretas.
Pergunte: ‘Que fatos sustentam esse elogio? Que fatos realmente o contradizem?’. O objetivo é avaliar, não se convencer à força.
Autocrítica parece verdade quando é a voz que você escuta há mais tempo.
Como aprender a receber um elogio sem se sentir falso?
Comece com uma resposta curta: ‘obrigado por dizer isso’. Evite negar, explicar ou devolver imediatamente; deixe a frase existir antes de decidir o que pensa sobre ela.
Depois, anote o elogio e a reação automática. Registre qual pensamento surgiu, que sensação apareceu e que evidência concreta estava presente.
A prática não exige repetir afirmações em que você não acredita. Ela treina uma postura mais justa: considerar dados positivos com o mesmo rigor dado aos negativos.
Você pode receber uma palavra boa antes de aprender a acreditar completamente nela.
Quando a autocrítica merece atenção profissional?
Quando interfere em relações, trabalho, decisões, capacidade de descansar ou disposição para tentar algo novo. Também merece cuidado quando o medo de falhar leva a evitar oportunidades ou depender constantemente de validação.
Um profissional pode ajudar a identificar regras rígidas, comparações e filtros que mantêm a percepção negativa, além de construir respostas mais equilibradas.
O PerfilMente pode ser um primeiro passo para organizar sua percepção atual. É educativo e não substitui avaliação ou diagnóstico profissional.
Uma visão mais equilibrada não ignora limites; ela deixa de apagar qualidades.
A terapia online pode ajudar na autoestima?
Pode oferecer um espaço para compreender como a imagem de si foi construída e como ela influencia escolhas atuais. O processo trabalha pensamentos, comportamentos e experiências sem prometer uma transformação instantânea.
A meta não é gostar de tudo em si o tempo inteiro. É desenvolver uma avaliação menos punitiva e mais coerente com a realidade.
No Centro de Terapia, o atendimento online é realizado por um profissional para pessoas no Brasil e brasileiros no exterior.
Autoestima não exige admiração constante; exige que sua voz interna deixe de agir como acusação permanente.

